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teatrochik / estrevista com Beth Lopes


ENTREVISTA COM BETH LOPES
por Alberto Nishitani
alberto@teatrochik.com.br

22/06/2004

A diretora de "Mal Secreto - A Vida Secreta de Ofélia", Beth Lopes

TeatroChik: Você dirigiu "Silêncio", de Peter Handke, que ficou em cartaz na FAAP num espaço alternativo nos fundos do teatro. A montagem apresentava muitas técnicas de teatro físico. Todos os seus trabalhos têm essa abordagem?

Beth Lopes: Cabe explicar o que eu entendo por teatro físico antes de me encaixar nele. Esse termo surgiu, que eu saiba, entre os ingleses, para designar um conjunto de manifestações teatrais que tinham em comum o trabalho do ator centralizado no físico (entendendo aqui, corpo e voz). Neste conjunto entrou uma variedade de estilos, técnicas e linguagens, como a mímica, o circo, a dança e todos os seus desdobramentos.

No teatro que tenho feito, sempre buscando a pesquisa da linguagem, dou ênfase ao físico porque quero tornar visível o invisível, aproximar a cena do espectador por outras sensibilidades e, para resumir, fugir do 'psicologismo' como princípio da criação do ator.

TeatroChik: A peça "Os Brutos Também Amam" tinha uma proposta muito diferente. O menino era interpretado por um adulto, os cavalos eram feitos de cabos de madeira. A crítica gostou. Como foi essa experiência?

Beth Lopes: Para mim as montagens são sempre experiências impagáveis. Gosto e persigo o “diferente", parto do pressuposto que é o de sair da mesmice do teatro, o que por si só constitui-se num risco. O espetáculo, dando certo ou não, faz parte de um processo contínuo de experimentações e amadurecimento. Este espetáculo era o início de uma estética híbrida, misturava bang-bang com teatro.

TeatroChik: No espetáculo "As Quatro Estações" havia 4 autores diferentes, tendo em comum apenas o tema das estações do ano. Como é dirigir uma peça com essa variedade de autores e estilos?

Beth Lopes: Desafiador.

TeatroChik: "Mal Secreto - A Vida Amorosa de Ofélia" tem uma atriz experiente
contracenando com um estreante. Como é o seu trabalho com os atores?

Beth Lopes: Não penso sobre este ponto de vista. São dois atores diferentes: ofereço os mesmos estímulos, mas as respostas são sempre diferentes. Gosto delas, pois dão humanidade aos personagens. No trabalho com os atores, por exemplo, extraio do texto idéias, temas, perguntas, conceitos. E eles vão criando partituras corporais e sobrepondo o texto. Em outros momentos, constroem partituras a partir do texto e vão descobrindo ações para as diferentes intenções. Nestes procedimentos existem muitas sutilezas, impossíveis de serem descritas em poucas palavras.

TeatroChik: O que te atraiu no texto de Steven Berkoff? Fale um pouco da parte
inicial desse projeto, como tudo começou.

Beth Lopes: A possibilidade de trabalhar numa releitura da dramaturgia shakespeareana, a habilidade dramatúrgica do autor, a forma epistolar e poética com que estrutura o texto. Gosto de dramaturgia que rompe.

TeatroChik: Em "Mal Secreto", tudo parece se encaixar perfeitamente: a música,
o cenário, a luz, o figurino. Você se preocupa muito com os detalhes?

Beth Lopes: Muito, mas o que conta mesmo é o trabalho de equipe. A parceria com
Marcelo Pellegrini (desde 1994) e Marisa Bentevegna - excelentes - foram fundamentais.

TeatroChik: Como foram as apresentações da peça nesse último Cultura Inglesa
Festival? Como o público reagiu à sua proposta de encenação?

Beth Lopes: Para minha surpresa, com muito entusiasmo e muita emoção. A resposta positiva foi dada pelo público, que nos deu o prêmio de Melhor Espetáculo do festival.


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